
Eu sou o tipo de designer que ao entregar um job (freela ou não) fica 65% feliz com a satisfação do cliente e 35% feliz pela graninha no bolso. Porque amo meu trabalho (apesar de humildemente assumir que tenho muito o que aprender) e porque adoro corresponder às expectativas de quem me confia a responsabilidade da criação de um produto. Mas o que eu mais preciso aprender a fazer é cobrar. Eu sou péssima para estipular valores, e me sinto muito mal as vezes por não ceder aos ‘choros’ de alguns clientes. Nota: não adianta chorar !
Recebi o Feed deste post hoje, via Idéia Fixa. O texto foi divulgado primeiramente no Pto de Contato e originalmente postado no Painter Creativity.
Me serviu de lição pois algumas dessas frases eu já ouvi, mas sempre vem aquela dúvida provinda da vida (ainda) estudantil, né ?
Vida essa que não nos atrapalha (e nem pode) na hora de executar belos trabalhos, e de alavancar muitos negócios e projetos por aí !
As 10 principais mentiras para enrolar designers e Ilustradores
1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor”
Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.
2) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final”
Essa é uma pegadinha. A partir do momento que você foi contratado para fazer o trabalho você DEVE pedir uma entrada. O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião de briefing. Talvez um cliente mais inexperiente queira pagar após ver alguns esboços. Cabe a você aceitar ou não.
3) “Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros”
Essa é uma das mais típicas. E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que ainda estão estudando. Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai faturar com o seu trabalho?”. Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer?
4) Olhando para seus estudos e rascunhos: “Veja, não temos muita certeza se queremos seu trabalho. Deixe esses estudos comigo e vou falar com meu sócio/investidor/mulher, etc e depois te dou uma resposta”
Não dou 5 minutos para ele ligar para outros designers com seus estudos e conceitos criados na mão barganhando melhores preços. Quando você ligar de novo ele dirá que seu trabalho está muito acima do mercado, blá blá blá, e que Fulano Designer vai fazer o trabalho. Mas como eles conseguiram outro designer mais barato? Lógico, você já passou o conceito todo criado! Economizou horas para o designer que vai pegar o trabalho. Então, enquanto você não entrar em acordo com seu cliente NUNCA DEIXE NADA CRIATIVO no escritório dele!
5) “Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no job. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!
6) “CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “designer estúpido”, aí o contrato é essencial! Simples assim! Ao menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!
7) “Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica”
Por que esperar por esse deadline irrelevante? Você é honesto, não? Por que você deveria ficar preso a esse deadline? Uma vez entregue o trabalho, fature! Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento. Assim o material vai pra gráfica, precisa de alterações intermináveis e, adivinhe, ele arranja outra pessoa pra fazer as alterações necessárias, o material vai pra gráfica e você nem fica sabendo!
8 ) “O último designer fez esse job por R$ XX “
Isso é irrelevante. Se o último designer era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada pra você. Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira). Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.
9) “Nosso orçamento para esse job é de XX reais”
Interessante, não? Um cara sai para comprar um carro e sabe exatamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa. Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro. Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele. Deixe isso bem claro ao seu cliente, que você dedicará menos tempo que o estimado para finalizar o trabalho porque ele não pode pagar por mais horas. A escolha é sua.
10) “Estamos com problemas financeiros. Passe o trabalho para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos. Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera. Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco. Não jogue dinheiro fora!
Bom, o motivo de tudo isso não é deixar você paranóico ou coisa do tipo, mas sim injetar um pouco de realidade no mundo de fantasia da maioria dos designers. Você certamente vai tratar com pessoas muito diferentes de você. As motivações e atitudes certamente são diferentes. Eu infelizmente vejo, muitas vezes, exemplos de pessoas envolvidas em situações com a mais nobre das intenções e acabam literalmente se dando mal. Porque a maioria dos designers enxergam os trabalhos como uma oportunidade de fazer aquilo que mais gostam com dedicação, simplesmente porque amam o que fazem! A outra parte não tem a negociação tão idealizada ou romantizada, muito pelo contrário.
Como lidar com todas essas coisas e ainda assim fazer um trabalho criativo? Boa pergunta! É por isso que ir atrás da informação é importante. Você aprende a trabalhar com todas as técnicas do design, mas não aprende a arte da negociação. Muitos designers ignoram este aprendizado, o que é um grande erro. Sugiro que o mínimo seja incorporado assim certamente você não sentirá seu trabalho como uma grande perda de tempo e dinheiro!
Fonte: texto original em inglês Painter Creativity
Tradução: Debora Behar
Eu não costumo re-divulgar posts de blog algum, mas esse mereceu, afinal trata-se de um texto de utilidade pública para os designers, principalmente os que estão começando. Concordo com todas essas regrinhas de não aceitar valores menores que não são dignos do nosso trabalho. O único ponto que me deixa chateada é que alguns clientes ainda dão mais valor a um job de baixo custo do que a qualidade do mesmo. Hoje em dia qualquer um assume o título de designer sem o menor conhecimento necessário para a execução de um bom projeto, e esses são aqueles que levam nossos clientes por encantá-los com o trabalho barato.
De qualquer forma tenho me esforçado para caprichar ao máximo em meus trabalhos, e tenho estudado bastante também. A dedicação que tenho investido em minha carreira fez com que divulgasse esse texto para que todos que são como eu, não desvalorizem suas artes.
Tags: job, lies, utilidade pública










Eu nao sou web designer, mas com certeza nao cairia nessas mentiras, hehe.
Tenho vontade de ser, mas dizem que ganham pouco… ganha pouco?
Beijos
Nossa esse texto pareceu uma das aulas da faculdade da Gaby, muito boas as dicas, realmente a gente olhando de fora pensa “a, mas eu não cairia nessa”, mas os fatores necessidade, insegurança e inexperiência têm muito peso na hora de tomar essas decisões e podem fazer você literalmente entrar pelo cano.
Muito boas as dicas até mesmo para quem não é designer parabéns Rapha é isso aí bons posts tem que ser passados a frente mesmo o/
Oi. Eu sou a Lívia, do antigo Totally Lívia (totallylivia.zip.net) que visitava sempre o Pikki’s Cute Page – pikki.zip.net (faz tempo, hein?) E depois passei a visitar o Sweet Scape, e depois você sumiu! ): Mas te achei, fiquei muito feliz *-* Provavelmente você nem lembre mais de mim, mas okay, eu lembro de você (:
AAAAH, eu simplesmente adorei esse post. Eu quero cursar Design Gráfico futuramente, e de fato, nunca pensei nessa parte, da negociação. Pensei só em fazer, me divertir e lucrar, mas com certeza é bem diferente disso! Tenho uma dúvida, se você puder me responder ficarei feliz, é fácil conseguir clientes? Em que tipo de lugares/pessoas/empresas eu procuro negociação?
Ain Pikki, quer dizer, Raphaella (hihi) sua nova página está muito bonita. Você não abandona o cinza e rosa, né? Ficarei esperando novos posts sobre Design Gráfico, conte umas experiências suas, seria legal! Beijos e fique com Deus, amei matar as saudades!